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    6/22/2006

    DEUS - O VENCEDOR

    O HOMEM – ESSE DESCONHECIDO!

    (Nem humano, nem semideus)

    A Padre Ramos e Adriana Costa. Dedico.

     

    "Faço ranger os dedos sobre as teclas e sigo o rastro do sol, com a minha cauda de pavão, dragão, sei lá - só sei que nada me calará, nada me lançará ao abismo, nem me envenenará as intenções."

     Kika 

    Blog Vida

     

    I

    Sim. Ele dissimulava possuir realeza e coração.

    Seu reino era de barro; seu coração parecia vidro.

    Seu olhar de cobra e tarântula derramava amor sobre todos do lugarejo,

    Violentados por cobras e lagartos...

    E os homens dotados de desamor e ruindade

    Não a tinham reconhecido como potente anjo de Deus.

    Sendo vulcão em erupção entrara de soslaio nos corações humanos.

    Tornara-se um estranho no ninho,

    Pois o poder de suas sábias palavras

    Havia rompido a barreira do inferno humano.

    Sim. Todos lhe tratavam com indiferença

    A ele, não fazia diferença alguma em ter que beijar a prostituta,

    Ou ter que morrer nos braços de seus algozes.

    Inclusive, já tinha sido até convidado a se retirar de mala e cuia dessa cidadezinha

    Perdida por entre os rochedos mais pontiagudos da terra...

    Porém, quando teve que recorrer à força e ao poder de sua oratória,

    Fez estremecer igrejas, hóstias e Sacristias.

    Sim. Era um domingo à tarde,

    Ninguém havia notado sua pacata presença no altar.

    Também não era ligado às coisas da terra,

    Mas notava-se que ele tinha franca intimidade com as coisas do céu!

    Devido o vai-e-vem do rush urbano

    Desandou a morrer de sono, frio e cansaço

    No calcanhar da Matriz local. Ali ficava horas a fio!...

    Sim. O Homem – Esse Desconhecido!

    Aparentava ser um árvore forte - Ipê, talvez.

    E porque homem constituído de terra e água,

    Percebia-se seu coração estar travado de expectativa e esperança...;

    Porquanto traído pelo velho amigo do peito,

    Habituara-se a viver só, escondido e cabisbaixo.

    II

    Desde aquele primeiro calvário

    Um grande cadeado de vento e orgasmo

    (Prendido a seu sexo)

      O conservara a sete chaves ante o segredo do universo...;

    E o seu universo pessoal estava em franca ebulição.

    Seu pecado pesava mais que a dor de sua fome.

    Mas agora, despertado de vida e luta,

    Iniciou caminhar sem rumo e sem expectativa definida,

    Vez que sua bússola de gente e alma o mantinha agonizante,

    Mal informado e intolerante:

    Julgavam-no ser a parte pior dos espécimes animalescas,

     Pois sempre se mostrou ser um homem justo.

    Sofreu a dor dos justos.

    Havia tempo que a falta de escrúpulo do novo homem

    Demovera sua imediata arrancada da terra,

    Preferira ficar aqui e salvá-lo através da palavra.

    Frente ao poderosos

     Tornara-se um Homem - Esse Desconhecido!

    E era um homem bom!

    Porque desprezado por todas as nações, prometeu salvar o planeta,

    Teimando remover o ódio milenar

    Que ainda hoje impera sobre todas as nações desumanas.

    Como ator, anjo do céu, participaria da farra do boi.

    Embora sendo tenebrosa a dor do martírio nada lhe metia medo.

    Momento após momento mostrava-se forte.

    Era um gigante de dois metros.

    Prometera a si próprio que nunca fraquejaria ante o caminhar sob sol.

    E o sol estava a pino...

    III

    Que o sol não brilharia para todos, disso ele sabia.

    Preparado para a entrar na farra, seu corpo carecia afago.

    Sob o peito repleto de estrelas a vida ruminava sua fome.

    Sim. O mundo com seus pecados e vícios não se habitava só;

    Pois que ainda restara esse homem e a sua coragem.

    E o seu universo paralelo estava em evolução...

    Tornara-se homem com todos os seus vícios, um homem!

    Sua língua afiada lambia como sentia o espocar das feridas da vida.

    Seus dedos fediam fome, nicotina e suor.

    Seus lábios trêmulos de fome e mulher

    Era só emoção e lembrança.

    Sim. Um dia esse homem possuiu riquezas materiais e celestiais;

    Um dia o poder do universo havia lhe pertencido.

    Encarnara ser homem dotado de todos os sofrimentos.

    Por isso, de seus dilatados olhos azuis

    Porque multifacetados de angustia e tormento,

    Decaíam lágrimas de iodo e cachaça.

    Suas enormes pernas bambas toleram a canseira,

    Mas seu coração não aceita a falta de amor do homem.

    Seus sonhos e os seus ressentimentos

    Buscam incessantemente o colo da liberdade.

     Sim. Eu vi. Aquele homem era somente um homem,

    E caminhava sob o sol resistindo de estômago a estômago,

    Sem fortuna, sem pátria.

    Suas visões de vida não estavam somente embaçadas de frio e desejo;

    Senão de agonia e malquerer.

    IV

     A noite estava profunda.

    No céu a lua espraiara sob a terra suas luzes de prata e preguiça.

    Sob o orvalho crepuscular daquele lugarejo perdido

    Uma Mercedez-Benz preta deslizava sua soberba

    Sobre o negrume do asfalto.

    Chegara a nona hora do povo

    E o povo estava agasalhado de poder

    E poder estava repleto de ódio.

    Chegara a vez dos homens e dor reluzia a favor da covardia;

    Uma vez que a decisão dos ímpios estava tomada:

    - Morte ao Homem – Esse Desconhecido!

    Lá fora, movido pela falta de escrúpulos

    Alguns viventes da terra de meu Deus,

    Festejavam condenar um animalejo qualquer

    E o condenaram!...

    Mas cabe à humanidade indagar:

    - Por que não libertar um homem condenado

    A abastar-se de Deus?

     

    Por Benny Franklin